Nacional

08/04/2008 17:51:00

Exclusivo: entrevista com Ricardo Zonta

Site da Revista RACING conversou com o ex-piloto de Fórmula 1

Ricardo Zonta

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O site da Revista RACING entrevistou, com exclusividade, Ricardo Zonta, que em 2008 terá duas funções na Stock Car: chefe de equipe e piloto. A conversa aconteceu durante o lançamento do time Panasonic Racing da categoria brasileira.

Zonta Falou sobre diversos assuntos, quase todos ligados aos anos nos quais competiu e foi piloto de testes na Fórmula 1, tendo passagens pelas equipes BAR, Jordan, Toyota e Renault. Confira, abaixo, a entrevista:

Racing: Sobre a Fórmula 1, você acha que os pilotos mais experientes, que já se acostumaram com o controle de tração, podem estar sofrendo sem o auxílio, já que os mais novos pilotavam em categorias sem esta ajuda?

Zonta: Tem pilotos que vieram da GP2 e que não estão muito bem na Fórmula 1. Estão andando normal, no limite do carro. Entretanto, o piloto que se acostuma muito com o controle de tração se prejudica um pouco. Mas a Fórmula 1 faz muito teste. Você tem como se acostumar com qualquer coisa, porque a quantidade de teste que tem, você acostuma. Eu não acho que o problema que o Massa teve na Austrália, por exemplo, foi por causa do controle de tração. Foi porque errou mesmo. Só isso. É claro que com controle de tração ele seria ajudado, mas ele não iria bater daquele jeito. Iria rodar.

Racing: Você acha que se daria melhor na Fórmula 1 com ou sem controle de tração?

Zonta: Eu fiz muito teste nos últimos anos, então eu já estava adaptado ao controle de tração. Eu fazia 25 000 km por ano de teste. Então, a adaptação que eu tinha com o carro sem e com a ajuda não foi difícil. Teve até alguns testes que eu fiz sem controle de tração, porque a equipe já estava se preparando para isso. Então, quando você entrava no carro, assustava até. Mas, como eu disse, tudo depende de quantos testes você faz para se adaptar. É claro que se hoje eu for direto pilotar um carro da Fórmula 1, vou cometer vários erros. Isso é normal.

Racing: Você, que já foi piloto de testes e titular, acha que o Nelsinho Piquet está demorando a se adaptar por não ter competido no último ano?

Zonta: Eu acho que a pressão que ele sofreu no primeiro GP foi muito grande. O circuito de Melbourne também é difícil, sujo, então para o piloto conseguir mostrar um bom potencial é difícil. Mas na Malásia ele já mostrou que está rápido e está tudo bem.

Racing: Em quem você aposta para o título da temporada de 2008 da Fórmula 1?

Zonta: Eu acho que vai dar Ferrari, com o Räikkönen. Eu acredito que ele está muito mais tranqüilo. Já vem do campeonato que ele ganhou no ano passado. É claro que eu torço pro Massa, mas estas duas etapas sem pontuar no começo do campeonato prejudicaram.

Racing: Sobre os pilotos que estão na Fórmula 1 há muito tempo. O Ralf Schumacher saiu da categoria. Você acha que já está na hora de pilotos mais experientes como o Coulthard e o Barrichello se aposentarem?

Zonta: Tudo depende de como o piloto se sente. Não é questão de idade. Pode ver o Michael (Schumacher), que saiu quase ganhando campeonato. O que vale não é a idade, mas, sim, a força de vontade e o espírito de competitividade.

Racing: Se você receber uma proposta para competir na Fórmula 1 novamente, você aceita?

Zonta: Se for uma equipe que dê a oportunidade de eu mostrar meu trabalho, aceito sim. Mas se for para testar ou coisa assim, não.

Racing: Você acha que teve chance de mostrar seu trabalho nas equipes que você passou?

Zonta: Pra falar a verdade, é difícil falar sobre isso, porque quando eu corri pela BAR, em 1999 e 2000, eu não tinha experiência e isso me prejudicou muito, já que a equipe também não tinha experiência nenhuma. Além disso, tudo era voltado para o outro piloto (Jacques Villeneuve). Então isso me prejudicou inclusive psicologicamente, porque eu não estava preparado. Eu fui prejudicado por isso. Nas cinco corridas que competi pela Toyota as coisas podiam ter acontecido, mas não aconteceram, principalmente por problemas como quebra no carro. Um exemplo aconteceu em Spa-Francorchamps, quando a duas voltas do final o motor quebrou e eu estava na 4ª posição. Então foram coisas que aconteceram na minha carreira que me decepcionaram, porque eu tinha a corrida na mão e por quebras ou outros problemas assim eu perdi.

Racing: Hoje você teria a experiência necessária para mostrar seu trabalho na Fórmula 1?

Zonta: É claro que depois de dois anos testando eu já estou bem mais preparado. Aliás, no meu segundo ano na Fórmula 1 eu já estava bem. Mas se for analisar quantos problemas eu tive em 2000, não foi pouca coisa. Eu tive chances de subir no pódio, como em Hockenheim, quando eu estava em 3º, mas furou o pneu e eu perdi o pódio. São coisas que decepcionaram, porque eu poderia ter conseguido resultados que me dariam chances de estar em equipes melhores no futuro. Acho que não tive os resultados que merecia.

Racing: Você comentou que, em 1999 e 2000, a BAR dava muita prioridade ao outro piloto...

Zonta: É. O Villeneuve tinha participação na equipe e o empresário dele era o diretor, então tudo ia para ele. Tanto em resultados quanto financeiramente, era tudo voltado para ele.

Racing: Existe algum risco de isso aconteceu com você na sua equipe da Stock Car, mas com a situação invertida?

Zonta: Não. Como vou ficar algumas corridas fora (para competir na Grand Am), todo o foco da equipe vai ficar principalmente em cima do (Ricardo) Sperafico. Se for analisar, minha vontade é de que a equipe ande bem, não interessando se é com ele ou comigo. Eu vou trabalhar o máximo para conseguir os melhores resultados possíveis. E ele também. A parte técnica foi contratada para que tenha uma pessoa o mais experiente possível trabalhando com cada piloto. Isso tende a nos trazer mais resultados juntos.

Para conferir um vídeo de uma entrevista adicional, feita pela Revista RACING, com o piloto Ricardo Zonta, falando mais sobre a Stock Car V8, CLIQUE AQUI

Rafael Munhoz

Imagens Divulgação

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